Na sequência da reunião extraordinária do seu Conselho de Presidentes, a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) deliberou por unanimidade exigir ao Governo a disponibilização urgente e imediata de um pacote de 140 milhões de euros em medidas de apoio aos agricultores.
A CAP considera esta resposta indispensável para compensar o agravamento dos custos de produção e atenuar a competitividade perdida. Com os 60 milhões de euros de apoios já anunciados, que são um valor manifestamente exíguo face às medidas de apoio concedidas por outros governos, nomeadamente pelo Governo espanhol, que ascendem a 1100 milhões de euros, o valor total de 200 milhões de euros (60 milhões já concedidos + 140 milhões a conceder) é, segundo a CAP, o mínimo indispensável para mitigar o fosso de competitividade que existe atualmente.
Esta diferença de competitividade, que hoje existe em geral e é particularmente notória face a Espanha, é, segundo a CAP, prejudicial para a produção nacional e para a economia portuguesa. Mitigá-la é, pois, um imperativo, considera a confederação.
A posição da CAP assenta nos seguintes considerandos:
Perante estes considerandos, a CAP exige um pacote de 140 milhões de euros de apoios diretos aos agricultores, dirigido à compensação dos custos acrescidos dos fatores de produção. Na avaliação do órgão máximo da Confederação, só uma intervenção desta dimensão permitirá atenuar a atual desvantagem e recuperar alguma da competitividade perdida face a Espanha.
É obrigação do Governo mobilizar os recursos nacionais necessários para este objetivo e aproveitar integralmente os instrumentos europeus disponíveis.
Não é admissível, segundo a CAP, confundir estes apoios extraordinários com os relativos às catástrofes climáticas que afetaram vários setores de atividade e, menos ainda, com pagamentos correntes da PAC, que têm objetivos próprios e que não constituem qualquer compensação.
A CAP alerta também que o importante setor da apicultura nacional não pode ser esquecido e tem de ser integrado no conjunto das medidas de apoio excecional. Este terá de visar todo o território nacional, incluindo, portanto, as regiões autónomas.
O setor agrícola, da floresta, da silvicultura e da produção pecuária precisa de condições de concorrência equitativas. O esforço, a produtividade e o investimento dos agricultores portugueses não podem, segundo a CAP, continuar a ser anulados pela diferença entre a resposta do Governo português e a dos governos dos países com os quais competem.
Defender a agricultura portuguesa exige decisões orçamentais concretas. Os 140 milhões de euros reclamados pela CAP são, segundo a confederação, uma condição essencial para proteger a produção nacional, recuperar competitividade e impedir que esta crise provoque perdas irreversíveis no setor.
No próximo dia 12 de outubro, no Parlamento e na residência oficial do primeiro-ministro, a CAP, através de uma delegação composta por dirigentes associativos oriundos de todo o país e representantes de todos os setores produtivos, entregará estas reivindicações em mão.