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Segunda edição do The Farm Changers 2.0: Dos Dados ao Prato – Byte to Bite

John Deere transforma dados em tecnologia para as culturas lenhosas

Ángel Pérez23/09/2026

A segunda edição do The Farm Changers 2.0: Dos Dados ao Prato – Byte to Bite reuniu, no John Deere Parla Innovation Center, mais de uma centena de representantes do setor agroalimentar para abordar os desafios das culturas lenhosas e mostrar, através de casos de sucesso e demonstrações no terreno, como a agricultura de precisão, a digitalização, a automatização e a eletrificação podem transformar as explorações agrícolas.

Jaime Muguiro, novo diretor de Desenvolvimento de Negócios da John Deere Ibérica
Jaime Muguiro, novo diretor de Desenvolvimento de Negócios da John Deere Ibérica.

O John Deere Parla Innovation Center (PIC), em Parla (Madrid), voltou a ser, no dia 14 de setembro, o ponto de encontro para analisar o presente e o futuro da agricultura. A segunda edição do The Farm Changers 2.0: Dos Dados ao Prato – Byte to Bite centrou-se, desta vez, nas culturas lenhosas, depois de a primeira edição, realizada em 2025, ter sido dedicada às culturas extensivas. Mais de uma centena de profissionais do setor agroalimentar participaram num evento que combinou debate, apresentação de casos reais e demonstrações tecnológicas.

Entre os participantes, esteve o ministro espanhol da Agricultura, Pescas e Alimentação, Luis Planas, que sublinhou uma ideia transversal ao longo do encontro: a tecnologia deve contribuir para uma utilização mais eficiente dos recursos e para melhorar a competitividade e a sustentabilidade das explorações agrícolas. Segundo explicou, a digitalização permite reduzir custos e melhorar a tomada de decisões em tempo real.

Dirigentes da John Deere apresentam ao ministro Luis Planas detalhes do PIC e das suas novidades
Dirigentes da John Deere apresentam ao ministro Luis Planas detalhes do PIC e das suas novidades.

O ministro associou também esta transformação tecnológica à necessidade de contar com os agricultores, especialmente os das pequenas explorações, e de acompanhar a adoção de novas ferramentas com formação, aconselhamento e transferência de conhecimento. “Temos de potenciar a agricultura de precisão contando com os agricultores e, em particular, com os pequenos agricultores”.

Neste sentido, recordou que o Governo destinou 223,4 milhões de euros a 6 655 investimentos em agricultura de precisão no âmbito do Plano de Recuperação, Transformação e Resiliência, além de 83 milhões de euros para cerca de 150 projetos inovadores e de 9,55 milhões de euros para o Renove 2026.

O futuro do setor, em debate

Após as boas-vindas, o programa arrancou com uma mesa-redonda dedicada ao futuro do setor agroalimentar. O debate centrou-se em três questões especialmente relevantes para a agricultura espanhola: a utilização eficiente da água, o desenvolvimento da agricultura de precisão e as regras do comércio internacional.

Planas identificou ainda a renovação geracional como um dos grandes desafios do setor agrícola. A integração de jovens com maior preparação tecnológica está, assim, ligada a uma agricultura em que os dados, a robótica e a inteligência artificial tenham uma aplicação prática e orientada para as necessidades reais das explorações.

Mais de uma centena de participantes no auditório do Centro de Inovação da John Deere, em Parla (Madrid)
Mais de uma centena de participantes no auditório do Centro de Inovação da John Deere, em Parla (Madrid).

Esta visão coincidiu com a abordagem da John Deere. Jaime Muguiro, novo diretor de Negócios da John Deere Ibérica, salientou que a agricultura espanhola enfrenta uma transformação acelerada e que a tecnologia constitui uma das ferramentas para manter a produtividade e a rentabilidade de um setor estratégico.

“Nunca a agricultura foi tão importante, e nunca antes teve necessidade de se adaptar tão rapidamente”, explicou. “Estamos no centro dos grandes desafios da humanidade, desde a segurança alimentar até à produtividade e rentabilidade. Por vezes, fala-se dela como se fosse apenas mais um setor, quando a Espanha é líder em algumas das culturas mais estratégicas, como o azeite, as árvores de fruto e as culturas críticas. Ou as culturas lenhosas, que são um símbolo de identidade do nosso país e para as quais o Parla Innovation Center procura soluções inovadoras”.

Um centro concebido para as culturas de elevado valor

O cenário escolhido para o encontro não foi por acaso. O Parla Innovation Center, inaugurado em outubro de 2022, é o primeiro centro de inovação da John Deere a nível mundial dedicado especificamente às culturas de elevado valor. O seu modelo de inovação aberta reúne empresas, startups e a Universidade Politécnica de Madrid para trabalhar em cinco áreas: automatização, eletrificação, conectividade, inteligência artificial e sistemas agrícolas integrados.

“Localizar este centro de inovação em Espanha foi uma decisão estratégica acertada. Para continuarmos a ser uma grande potência agroalimentar, precisamos de tecnologias que nos permitam fazer um uso mais eficiente dos recursos. Felicito a John Deere pelo seu trabalho nesta área, pela sua tradição tecnológica e empresarial e pelo seu papel fundamental na promoção da colaboração e do diálogo com as universidades, os centros de investigação, as empresas e os agricultores e criadores de gado”, afirmou o ministro Planas.

Natalia Hernández, da Universidade Politécnica de Madrid; Javier Fernández, responsável pelo PIC da John Deere; e Rocío Martín...
Natalia Hernández, da Universidade Politécnica de Madrid; Javier Fernández, responsável pelo PIC da John Deere; e Rocío Martín, da Bodegas Matarromera, conversaram sobre a tecnologia Smart Apply.

Durante os seus primeiros quatro anos, o centro impulsionou mais de dez projetos relacionados com desafios concretos das culturas lenhosas, entre os quais a fertilização de precisão, a irrigação e a saúde do solo. A filosofia do PIC parte do princípio de que estas culturas necessitam de soluções específicas, e não de meras adaptações das tecnologias desenvolvidas para a agricultura extensiva.

“Quando inaugurámos o PIC há quatro anos, partíamos de uma convicção: as culturas de elevado valor não necessitavam de adaptações da agricultura extensiva, mas sim de soluções próprias. Hoje, com a experiência que acumulámos, podemos afirmar que essa aposta se confirmou. Desenvolver tecnologia em Espanha, em colaboração com alguns dos produtores mais competitivos, permite-nos validá-la nas condições mais exigentes e, posteriormente, levá-la aos restantes mercados”, salientou Javier Fernández, responsável pelo John Deere Parla Innovation Center.

Da tecnologia à aplicação no terreno

Um dos momentos centrais do evento foi dedicado à apresentação de tecnologias que já contam com aplicações práticas. O Smart Apply foi um dos protagonistas. Trata-se de um sistema de pulverização de precisão capaz de ajustar automaticamente a aplicação de produtos fitofarmacêuticos à geometria de cada árvore. A experiência da Bodegas Matarromera na vinha serviu de caso de sucesso: a John Deere estima uma redução média de 50% no uso de produtos fitofarmacêuticos e uma poupança equivalente no consumo de água.
Na zona exterior foram montadas as estações de trabalho
Na zona exterior foram montadas as estações de trabalho.

O segundo caso apresentado foi o John Deere Operations Center, uma plataforma digital que permite integrar informação agronómica e utilizar os dados gerados durante as operações para facilitar a tomada de decisões. As experiências da Prunus Nuts e da Bodegas Matarromera permitiram aplicar esta proposta a duas realidades concretas: a amendoeira e a vinha.

O percurso tecnológico foi completado com o GUSS, uma solução de pulverização autónoma que também utiliza este ecossistema digital. A AceSur partilhou a sua experiência no olival, colocando o foco nas possibilidades da automatização para melhorar a eficiência e a segurança das operações.

Os participantes dividiram-se em grupos para percorrer as diferentes estações
Os participantes dividiram-se em grupos para percorrer as diferentes estações.

Tecnologia em movimento

A última parte do encontro levou a inovação do espaço de debate para o próprio campo do PIC. As demonstrações dinâmicas permitiram verificar no terreno o funcionamento de diferentes tecnologias de precisão aplicadas a tratores para culturas especiais, além de mostrar o papel dos dados obtidos durante os trabalhos agrícolas e vários projetos que ainda se encontram em desenvolvimento.

Entre as soluções que suscitaram maior interesse destacou-se o trator totalmente elétrico E-Power, cujo protótipo tinha sido apresentado internacionalmente na Agritechnica 2025. O modelo conta com até cinco baterias Kreisel, atinge 130 cv de potência e mantém a compatibilidade com alfaias agrícolas. A sua apresentação permitiu introduzir no debate uma via adicional para a evolução da maquinaria agrícola: a eletrificação e as alternativas de propulsão com emissões reduzidas ou nulas.

Trator elétrico E-Power, que, até ao momento, ainda não foi colocado no mercado
Trator elétrico E-Power, que, até ao momento, ainda não foi colocado no mercado.

A demonstração incluiu também o YieldDoc, uma tecnologia destinada ao registo e à análise da produtividade durante a colheita de culturas especiais e de elevado valor, como a batata, a cebola ou a beterraba.

Assim, a segunda edição do The Farm Changers 2.0 articulou um percurso que foi do debate estratégico à aplicação prática: primeiro, os desafios que o setor enfrenta; depois, o papel de um ecossistema de inovação como o PIC; em seguida, casos reais de digitalização e automatização; e, finalmente, demonstrações no terreno. Uma abordagem que liga os dados gerados na exploração à tomada de decisões e às tecnologias concebidas para responder às necessidades específicas das culturas lenhosas.

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