O setor hortofrutícola português vive um momento de afirmação. Em 2025, as exportações de frutas, legumes e flores cresceram 5%, atingindo 2,6 mil milhões de euros: um novo recorde anual. Em 16 anos de atividade da Portugal Fresh, o valor exportado triplicou, e o setor agroalimentar representa hoje 13% das exportações nacionais de bens. Estes números não são um ponto de chegada, mas a prova de que o caminho traçado está certo, e é agora que devemos acelerar.
Gonçalo Santos Andrade, presidente da Portugal Fresh.
Este ano atravessámos um contexto complexo devido ao comboio das tempestades, que afetou a produção nos primeiros meses do ano, resultando numa diminuição de 11% da quantidade exportada e uma diminuição de 5% no valor entre janeiro e maio face ao ano anterior. Existem, ainda, inúmeros desafios devido ao aumento dos custos de produção resultantes da guerra no Médio Oriente.
Nesse sentido, anunciámos, este ano, o maior investimento da nossa história: 2,7 milhões de euros até 2027, num plano estratégico de promoção e internacionalização cofinanciado pela União Europeia, através dos programas Portugal 2030 e Compete 2030. Trata-se de um investimento com um propósito claro: consolidar Portugal como origem de referência nos mercados internacionais e preparar a fileira para os desafios da próxima década.
Nos próximos dois anos, a nossa agenda internacional passa pela presença em quatro das principais feiras do setor: Fruit Attraction Madrid, Fruit Logistica Berlim, IPM Essen e Fruit Attraction São Paulo. A estas juntam-se duas missões empresariais de prospeção, aos Estados Unidos e ao Chile, e o reforço da atuação em mercados de elevado potencial como a China, os Emirados Árabes Unidos e a Índia. Diversificar destinos é, cada vez mais, uma condição de resiliência para um setor exposto à volatilidade dos mercados internacionais e às alterações climáticas.
Mas a nossa ambição não se esgota na promoção externa. Um dos eixos mais estruturantes deste plano é a criação de uma estrutura interprofissional para o hortofrutícola nacional. Até 2027, vamos trabalhar na definição das bases desta entidade, que deverá reunir os principais agentes da cadeia de valor, da produção à transformação e distribuição. Portugal tem hoje uma fileira hortofrutícola pujante, mas ainda fragmentada em muitas das suas decisões estratégicas. A criação de uma interprofissional é uma etapa determinante para que essa fileira passe a falar a uma só voz, ganhando coesão e força negocial, tanto no mercado interno como além-fronteiras.
Acreditamos que o futuro do setor se joga em três frentes simultâneas: mais presença internacional, mais organização interna e mais capacidade de resposta às exigências dos mercados — sejam elas de sustentabilidade, de segurança alimentar ou de rastreabilidade. Nenhuma destas frentes se resolve isoladamente, e é por isso que este plano de investimento as trata como parte de uma mesma estratégia.
Este é, no fundo, um plano que traduz uma declaração de ambição para o setor e para o país. As empresas portuguesas produzem cada vez com mais qualidade, mais inovação e mais respeito pelo ambiente. Cabe à Portugal Fresh criar as condições para que essa qualidade seja reconhecida onde ainda não é, e reforçada onde já o é. É esse o compromisso que assumimos junto dos nossos associados, e é esse o caminho que continuaremos a percorrer nos próximos anos.
