A Portugal Nuts realizou a 26 de maio, em Évora, o seu V Congresso anual, que debateu temas como a competitividade do setor, o contexto geopolítico ou as tendências globais de mercado, num evento que demonstrou a maturidade e a ambição da fileira dos frutos secos nacionais. O encontro foi palco para o lançamento da Agenda de Investigação e Experimentação e do Programa de Sustentabilidade dos Frutos Secos.
Reunindo um painel de oradores de reconhecido prestígio com associados, produtores, especialistas e representantes de instituições nacionais e europeias, o encontro de referência no setor dos frutos secos concluiu que o país se está “a afirmar como uma referência mundial na produção de frutos secos e tem todas as condições para continuar a crescer na produção, indústria, inovação e internacionalização”.
De acordo com o comunicado divulgado pela Portugal Nuts - Associação de Promoção de Frutos Secos, Portugal é hoje o segundo maior produtor europeu de amêndoa e o quinto maior produtor de nozes a nível europeu. Os dados mais recentes do INE revelam que, em 2025, as exportações atingiram um novo recorde e ultrapassaram os 156 milhões de euros: os frutos secos já representam 6% do total das exportações de produtos vegetais nacionais.
A amêndoa é o fruto mais exportado, com 115,45 milhões de euros de vendas para os mercados internacionais (+16% face a 2024); já as exportações de noz atingiram os 3,3 milhões de euros, um aumento de 50% em comparação ao ano anterior.
Acreditando no “potencial da fileira”, na “capacidade dos nossos produtores e empresas” e que “Portugal pode - e deve - afirmar-se como um dos melhores produtores mundiais de frutos secos”, Tiago Costa, presidente da Portugal Nuts, defende que se compete com os melhores quando se trabalha com rigor, quando se investe em eficiência, quando se aposta na sustentabilidade e quando se constrói uma fileira coesa e preparada para os desafios globais”.
Durante o evento, a Portugal Nuts anunciou o arranque da sua Estratégia 2026-2028 e Plano de Ação, estruturados em quatro pilares: Promoção e Mercados; Estudos e Serviços Profissionais; Investigação e Desenvolvimento; e Comunicação e Representação. Entre os instrumentos previstos destacam-se a Agenda de Investigação e Experimentação — desenvolvida em articulação com universidades e centros de I&D — e o Programa de Sustentabilidade dos Frutos Secos, que reforça o compromisso com práticas responsáveis e alinhamento com as exigências dos mercados.
Outra medida considerada essencial para o crescimento do setor é a aplicação da taxa reduzida de IVA (6%) aos frutos secos cortados, atualmente tributados à taxa normal de 23%. A Portugal Nuts reiterou a importância desta iniciativa, submetida formalmente ao Ministério da Agricultura, à Assembleia da República e às principais confederações empresariais. Recorde-se que o corte mecânico não constitui transformação do produto — não altera sabor, composição nem valor nutricional — e não deve ser equiparado a processos como a caramelização ou a fritura. A taxa reduzida de IVA corrigiria uma assimetria competitiva face a Espanha (onde a taxa aplicável é de apenas 4%), e a outros países europeus, beneficiando, simultaneamente, o consumidor português e a indústria nacional.
Um congresso à altura da ambição do setor
O V Congresso Portugal Nuts reuniu visões, dados e experiências que reforçaram a confiança no futuro da fileira. As sessões abordaram temas decisivos para a competitividade do setor:
"Este V Congresso mostrou que o setor dos frutos secos está preparado para os desafios e para as oportunidades. Mostrou que temos conhecimento, visão, capacidade de inovação e vontade de fazer mais e melhor”, afirmou Nuno Russo, diretor executivo da Portugal Nuts, no momento de encerramento.
