O míldio da videira, causado por Plasmopara viticola, é uma das doenças mais destrutivas da viticultura a nível mundial. Presente em praticamente todas as regiões vitivinícolas onde coexistem humidade e temperaturas amenas, esta doença pode provocar perdas significativas, comprometendo não só a quantidade como a qualidade das uvas.
Em Portugal, a influência atlântica torna o controlo do míldio particularmente exigente. Em anos de elevada pressão, os prejuízos podem ser severos, traduzindo-se na redução da capacidade fotossintética da planta, perda de produção e impacto direto na qualidade final das uvas.
O desenvolvimento do míldio está diretamente dependente das condições climáticas, sendo a primavera o período mais crítico. A infeção primária ocorre tipicamente quando se verifica a conhecida 'regra dos três 10': temperaturas superiores a 10 °C, precipitação acumulada acima de 10 mm e pâmpanos com mais de 10 cm de comprimento.
Para além deste momento inicial, a doença evolui rapidamente sempre que se registam níveis elevados de humidade relativa, entre 92% e 100%, associados a chuva ou orvalho. A temperatura ideal para a germinação dos oósporos situa-se entre os 11 °C e os 32 °C, permitindo ciclos sucessivos de infeção ao longo da campanha.
A presença de inóculo no solo, sob a forma de oósporos que hibernam de um ano para o outro, aumenta significativamente o risco, sobretudo quando na campanha anterior se observaram sintomas de míldio mosaico.
Plasmopara viticola é um fungo endoparasita, ou seja, desenvolve-se no interior dos tecidos da planta, e manifesta sintomas distintos conforme o órgão afetado. Nas folhas, surgem inicialmente manchas de óleo na página superior, com aspeto translúcido, evoluindo posteriormente para a formação de esporulação esbranquiçada na página inferior. Em situações de ataque intenso, ocorre dessecamento e desfoliação, com diminuição da área foliar fotossinteticamente ativa. No final do verão, é frequente observar o chamado míldio mosaico, com pequenas manchas necrosadas entre as nervuras.
Nas inflorescências e nos cachos, a doença manifesta-se pela presença de bolor cinzento/branco (rot gris) que rapidamente evolui para uma coloração acastanhada. Nos bagos já desenvolvidos, surgem manchas acastanhadas com aspeto de 'dedadas', levando à desidratação e ao dessecamento do bago, um fenómeno conhecido por podridão castanha (rot brun).
Estes sintomas têm um impacto direto na produção e na qualidade das uvas, afetam a maturação, diminuem o teor de açúcares e aumentam a acidez, podendo originar perdas totais quando as infeções ocorrem em fases precoces e não são adequadamente controladas.
A sensibilidade da videira ao míldio varia ao longo do seu ciclo vegetativo. As fases mais suscetíveis ocorrem desde a saída das folhas até ao pintor.
Do ponto de vista fitossanitário, a estratégia deve assentar numa abordagem essencialmente preventiva, com intervenções realizadas em função do risco climático e do estado fenológico da cultura. A escolha dos fungicidas deve privilegiar soluções eficazes, adaptadas às várias fases do ciclo da videira, garantindo uma boa persistência e capacidade de proteger o crescimento ativo da planta, assegurando simultaneamente uma gestão rigorosa das resistências através da rotação de modos de ação.
Neste contexto, o Orondis Forte posiciona-se como uma nova solução fungicida altamente eficaz no controlo do míldio da videira, integrado no portfólio Syngenta para vinha - o mais completo do mercado.
O Orondis Forte combina duas substâncias ativas complementares, amissulbrome (140 g/L) e oxatiapiprolina (40 g/L), proporcionando um duplo modo de ação que atua em várias fases do ciclo do patógeno. Esta combinação é considerada uma estratégia valiosa contra o desenvolvimento de resistências.
O amissulbrome é um fungicida de superfície, que possui atividade preventiva, atua em múltiplas etapas do ciclo de vida do fungo, sendo ativo na germinação direta de zoosporângios e indireta de zoosporângios e na germinação de citósporos. Desta forma, proporciona um desempenho consistente através da interrupção da infeção secundária.
A oxatiapiprolina distingue-se pelo seu comportamento sistémico e elevada mobilidade no interior da planta, permitindo uma proteção adicional das novas folhas e rebentos desenvolvidos após a aplicação. A oxatiapiprolina tem ação preventiva e curativa, quando é aplicada imediatamente após a infeção, e também atua em diversas etapas do ciclo de vida do fungo. É mais eficaz nas etapas-chave: esporulação, germinação e infeção inicial.
Esta complementaridade traduz-se numa proteção robusta, duradoura e resistente. Orondis Forte fixa-se na camada cerosa e nos tecidos foliares, devido ao movimento de ambas as substâncias ativas no interior da planta, proporcionando uma excelente proteção dos bagos e das folhas, caso a precipitação ocorra uma hora após a aplicação.
O Orondis Forte deve ser aplicado preferencialmente de forma preventiva, entre as flores separadas e o bago de chumbo, garantindo uma excelente proteção nestas fases sensíveis da vinha ao míldio. Este fungicida está autorizado à dose de 0,5 L/ha, a partir do pleno desenvolvimento vegetativo. Deve-se utilizar 0,2 a 0,3 L/ha/10 000 m² tLWA (área da parede foliar).
A sua utilização em dois tratamentos, com intervalos de dez a 14 dias, permite assegurar uma proteção consistente durante estas fases determinantes. O Orondis Forte deve ser usado em programa de rotação com fungicidas de outros grupos FRAC eficazes contra Plasmopara vitícola.
Um dos aspetos diferenciadores desta solução reside na sua contribuição para a gestão de resistências. O Orondis Forte integra substâncias ativas de grupos distintos, permitindo maior flexibilidade na construção do programa de tratamentos. Esta característica possibilita a sua integração em estratégias mais amplas, onde é possível alternar com outros fungicidas, como soluções à base de mandipropamida, nomeadamente o Ampexio, respeitando os limites de cada grupo químico.
A aposta em soluções inovadoras como o Orondis Forte permite elevar o nível de proteção, combinando eficácia, persistência e flexibilidade na gestão de resistências. Desta forma, os viticultores podem assegurar não só a produtividade das suas vinhas, mas também a qualidade das uvas, respondendo às exigências de uma viticultura moderna e sustentável.
