A modernização do regadio entra em 2026 com estatuto de prioridade estratégica. O COTR – Centro Operativo e de Tecnologia de Regadio posiciona a digitalização, a execução da estratégia nacional para a água e a adaptação climática como pilares críticos para sustentar a competitividade da agricultura portuguesa, num contexto de crescente pressão sobre os recursos hídricos.
O COTR – Centro Operativo e de Tecnologia de Regadio vai reforçar este ano a aposta na digitalização do regadio, através do lançamento de novas iniciativas de inovação, capacitação e partilha de conhecimento no setor agrícola. A entidade, que considera que a governação da água é uma prioridade nacional para 2026, pretende promover o uso de tecnologias de monitorização e apoio à decisão, contribuindo para uma gestão mais eficiente dos recursos hídricos e para a modernização da agricultura de regadio em Portugal.
Gonçalo Morais Tristão, presidente do COTR, considera que “a água será cada vez mais o fator crítico da competitividade da agricultura e a digitalização do regadio é hoje essencial para aumentar a eficiência no uso da água e garantir a sustentabilidade da agricultura em Portugal. Num contexto de maior pressão sobre os recursos hídricos, é fundamental reforçar a governação da água com a participação muito direta do setor agrícola, e promover uma gestão cada vez mais inteligente e partilhada. O COTR quer continuar a ser um motor de inovação no regadio, promovendo conhecimento, tecnologia e soluções que apoiem os agricultores.”
O centro, sediado em Beja, prepara o lançamento ainda este ano de um projeto inovador de âmbito internacional, sinalizando uma aposta clara na incorporação tecnológica como motor de eficiência económica. “A digitalização é hoje o principal vetor de transformação do regadio e uma peça-chave da agricultura nos nossos dias. Falamos da integração de sistemas de monitorização, sensorização, tratamento avançado de dados e ferramentas de apoio à decisão capazes de otimizar o uso da água e da energia. O objetivo é inequívoco: aumentar a produtividade, reduzir custos operacionais e reforçar a resiliência das explorações agrícolas”, afirma Gonçalo Morais Tristão, presidente do COTR.
Em linha com esta temática, o COTR organiza na Quinta da Saúde, em Beja, no próximo dia 20 de março, o OPEN INNOVATION FORUM – Soluções e Desafios na Digitalização da Agricultura. O evento, integrado no projeto europeu Interreg Sudoe Smart Green Water, de que o Centro Operativo e de Tecnologia do Regadio é parceiro, reúne empresas tecnológicas, agricultores, técnicos e investigadores, para apresentar ferramentas digitais e soluções inovadoras para o regadio adaptadas aos desafios das alterações climáticas e que promovam uma agricultura mais eficiente e sustentável. Colocando em destaque a digitalização da agricultura e as novas soluções tecnológicas para uma gestão mais eficiente da água, o fórum pretende estimular o contacto entre a oferta tecnológica e as necessidades do setor agrícola, contribuindo para acelerar a adoção de tecnologias que permitam otimizar a utilização da água, melhorar a eficiência produtiva e reforçar a sustentabilidade da agricultura.
A iniciativa conta com a presença de reputados especialistas do InovTechAgro, Hidromod, EDIA, FENAREG, COTR, HIDROSOPH, AQUAGRI, AGROINSIDER, AGROOP, ICROP, WAATIC, TERRAPRO, E Universidade Politécnica de Cartagena.
No plano da política pública, o COTR eleva o grau de exigência relativamente à concretização da estratégia ‘Água que Une’, defendendo que a sua execução efetiva, designadamente ao nível da reabilitação e modernização dos aproveitamentos hidroagrícolas, de barragens e infraestruturas hidráulicas, será determinante para a estabilidade produtiva do setor.
A instituição sustenta que o impacto económico da estratégia dependerá de um modelo de governação robusto e representativo, com participação direta dos agricultores nas decisões relativas ao regadio.
“O sucesso da estratégia exige um modelo de governação onde os utilizadores da água tenham uma palavra decisiva. Só assim se garantem soluções economicamente viáveis e tecnicamente ajustadas às realidades territoriais, até porque a água será cada vez mais o fator crítico da competitividade da agricultura”, sublinha o responsável.
A agenda de 2026 é igualmente moldada pela variabilidade climática. As recentes cheias e situações de calamidade declaradas em vários pontos do território reforçam, segundo o COTR, a necessidade de acelerar investimentos em infraestruturas resilientes e em sistemas de gestão hídrica mais inteligentes.
“Os episódios extremos que vivemos demonstram que a estratégia ‘Água que Une’ tem de sair do papel. Precisamos de novas infraestruturas e da modernização das existentes para gerir a água de forma eficaz e sustentável. Cada mês de atraso tem um custo económico acrescido para o país e põe em risco populações e territórios”, alerta Gonçalo Morais Tristão, defendendo que “a gestão eficiente da água deixou de ser apenas uma questão ambiental: tornou-se um fator estrutural, social e de competitividade macroeconómica”.
O COTR associa ainda a atratividade do setor agrícola à previsibilidade no acesso à água e à estabilidade regulatória. A incorporação de tecnologia e a segurança no abastecimento são vistas como pré-condições para captar investimento e promover a renovação geracional. “Sem previsibilidade hídrica e enquadramento regulatório estável, é difícil atrair jovens agricultores ou justificar investimento de médio e longo prazo”, sustenta o presidente do COTR.
O XI Congresso Nacional de Rega e Drenagem, organizado pelo COTR e que irá ter lugar de 30 de setembro a 2 de outubro, em Beja, deverá funcionar como barómetro das tendências tecnológicas e estratégicas do regadio, reunindo produtores, decisores políticos, investigadores e empresas tecnológicas em torno de um grande debate nacional.
Paralelamente, a instituição está a preparar o lançamento de uma nova plataforma de experimentação e validação de tecnologias de rega em contexto real de exploração agrícola, com foco na eficiência hídrica e na mitigação dos impactos das alterações climáticas.
Internamente, o COTR está a ajustar a sua estrutura organizacional, reforçando competências técnicas e alinhando-se com as exigências da transição digital e da gestão sustentável da água.
Num ano em que o debate sobre recursos hídricos ganha peso na agenda económica nacional, a mensagem do COTR é clara: a competitividade do regadio português dependerá da capacidade de conjugar digitalização, investimento em infraestruturas e governação eficaz dos recursos hídricos.
Em Portugal, mais de metade das explorações agrícolas dependem da água e o regadio é responsável por 60% da produção agrícola nacional, com 633.101 hectares equipados para regadio em 3.700.000 da SAU (superfície agrícola utilizável).