Chaparro Agrícola e Industrial, S.L.
Informação profissional para a agricultura portuguesa
Dados apresentados pela FederUnacoma revelam quebras nos principais mercados europeus e norte-americano

Vendas de tratores caem nos mercados tradicionais e deslocam-se para novos polos

18/02/2026
O setor das máquinas agrícolas atravessa uma mudança de ciclo marcada por um contexto de incerteza geopolítica e económica. Embora a agricultura mundial mantenha uma trajetória de crescimento e o potencial de procura por mecanização continue elevado, as tensões comerciais estão a fragmentar os mercados e a travar o comércio internacional.

Este foi o enquadramento apresentado pela Federação Italiana de Fabricantes de Máquinas Agrícolas (FederUnacoma) durante a conferência de apresentação da EIMA International, a grande feira tecnológica do setor, que vai ter lugar em Bolonha, de 10 a 14 de novembro de 2026.

Os dados mais recentes confirmam a retração em vários mercados tradicionais. Os Estados Unidos devem encerrar o ano com uma quebra de 10% e cerca de 196 mil tratores vendidos – o resultado mais baixo dos últimos treze anos. Também se registam recuos significativos na Alemanha (-12,2%, aproximadamente 26 mil tratores), em França (-14%, cerca de 24 mil unidades até novembro) e no Reino Unido (-14,2%, 9 mil unidades).

Em contrapartida, observam-se sinais de recuperação no sul da Europa. Itália apresenta um crescimento de 17,3%, ultrapassando as 17.500 matrículas, enquanto Espanha regista um aumento de 21,8%, com cerca de 11 mil tratores matriculados. O grande protagonista continua, contudo, a ser a Índia, que atinge um novo máximo histórico, com 1,1 milhões de tratores vendidos – mais 20,9% do que em 2024 – consolidando-se como o maior mercado mundial em volume.

Os fabricantes italianos de máquinas agrícolas mantêm-se atentos à evolução dos mercados internacionais
Os fabricantes italianos de máquinas agrícolas mantêm-se atentos à evolução dos mercados internacionais.
A FederUnacoma sublinha que esta contração resulta sobretudo de fatores conjunturais e não de uma diminuição estrutural das necessidades do setor. As projeções até 2034 apontam para um aumento de 14% na produção agrícola mundial, com especial incidência na Índia e em regiões como o Norte de África, a África Subsaariana e o Médio Oriente, onde o crescimento demográfico será mais acentuado.

Este novo enquadramento antecipa uma reconfiguração da geografia do comércio mundial de máquinas agrícolas, prevendo-se um crescimento mais expressivo na África Subsaariana (+4,8%), na Ásia (+3,8%) e na América Latina (+2,9%). Paralelamente, os fabricantes chineses reforçam a sua posição, liderando o fornecimento na África Subsaariana e em vários mercados asiáticos, ao mesmo tempo que aumentam progressivamente a sua presença na Europa.

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