Num momento-chave para a transformação do olival, onde a sustentabilidade, a eficiência e a adaptação às alterações climáticas marcam o rumo do setor, nascem Brunella, Florentia e Ilitia. Estas três novas variedades de oliveira, fruto do programa de melhoramento genético da Universidade de Florença, juntam-se ao impulso inovador iniciado com Lecciana e Coriana, provenientes da Universidade de Bari. Em conjunto, estas variedades formam um novo catálogo que redefine as possibilidades do olival moderno.
Com características agronómicas que respondem aos desafios atuais, como a tolerância ao frio, a entrada precoce em produção ou a elevada qualidade do azeite, estas variedades estão destinadas a tornar-se peças chave no sistema de olival em sebe.
A experiência dos últimos anos demonstrou que o sucesso da sebe não depende apenas do desenho da plantação ou do nível de mecanização, mas, em grande medida, do material vegetal. A dependência de um número reduzido de variedades evidenciou a necessidade de ampliar o leque varietal. O melhoramento genético torna-se, assim, uma ferramenta estratégica para garantir a sustentabilidade do sistema.
É neste contexto que nascem Ilitia, Brunella e Florentia, três novas variedades concebidas especificamente para responder às exigências do olival em sebe e para complementar o catálogo varietal existente. Não se trata de procurar uma variedade única, mas de oferecer soluções diferenciadas para distintos perfis de produtores e condições de cultivo.
Como afirmou em diversas ocasiões Edgardo Giordani, responsável pelo programa de melhoramento genético da Universidade de Florença, “o ideótipo do passado, centrado fundamentalmente na resistência ao frio, exige hoje considerar aspetos como a produtividade, a facilidade de maneio agronómico através da mecanização […], sem perder de vista a necessidade de melhorar as qualidades organoléticas do azeite”. Esta reflexão resume a mudança de paradigma que a olivicultura atual está a viver.
Ilitia responde a um perfil claramente orientado para a eficiência produtiva e a mecanização. Entra mais cedo em produção do que ArbOSANA, com menos madeira, mais frutos e maior eficiência desde o primeiro momento.
É uma variedade moderna, precoce e homogénea, com vigor controlado e uma arquitetura que favorece a uniformidade da sebe. Os dados de campo confirmam, além da elevada produtividade, uma grande estabilidade produtiva, sem alternância, o que permite maior previsibilidade das colheitas e um retorno rápido do investimento inicial.
As comparações de vigor realizadas em diferentes explorações mostram que Ilitia apresenta um desenvolvimento equilibrado face a outras variedades de referência, o que facilita a sua integração em plantações superintensivas. Estas características fazem de Ilitia uma opção especialmente indicada para explorações profissionais orientadas para a produção, rentabilidade e eficiência operacional.
Florentia, por sua vez, apresenta-se como uma variedade destinada a produtores que valorizam a qualidade sensorial do azeite e a estabilidade produtiva. Caracteriza-se pela entrada precoce em produção, maturação antecipada e porte ereto, com vigor médio que facilita o seu maneio em sebe. Os acompanhamentos realizados em várias explorações mostram uma produtividade média-alta e regular, sem tendência à alternância — um aspeto-chave para a planificação económica da exploração.
Um dos elementos mais destacados de Florentia é o seu comportamento em condições de disponibilidade hídrica limitada, mantendo uma produção equilibrada e boa estabilidade ano após ano. Esta característica torna-a especialmente interessante para zonas de sequeiro ou para produtores que pretendem otimizar o uso da água. Embora o seu rendimento em gordura não seja o seu principal atributo, o seu perfil aromático intenso torna-a uma variedade atrativa para estratégias orientadas para a diferenciação pela qualidade.
Brunella completa este trio varietal com um perfil agronómico muito definido. Destaca-se pelo vigor muito reduzido e pelo porte ereto, características que simplificam significativamente o seu maneio em sebe e reduzem a necessidade de intervenções vegetativas.
Do ponto de vista do azeite, apresenta um perfil suave e aromático, alinhado com as atuais exigências do mercado. Para expressar todo o seu potencial, Brunella requer solos com boa fertilidade e uma disponibilidade hídrica adequada, condições nas quais oferece resultados muito competitivos.
A incorporação de Ilitia, Brunella e Florentia no catálogo varietal do olival em sebe responde a uma necessidade estrutural do setor: diversificar para reduzir riscos e aumentar a resiliência do sistema produtivo.
Num contexto de mudança constante, ampliar o leque varietal não é apenas uma vantagem competitiva, mas uma garantia de futuro para a olivicultura. As novas variedades da Universidade de Florença representam mais um passo rumo a um olival mais flexível, resiliente e preparado para enfrentar os desafios que virão.