Com quase 40 anos de história e sede em Óbidos, a Granfer é uma organização de produtores que se destaca na fruticultura do Oeste, com culturas como a pera rocha do oeste (DOP) e a maçã de alcobaça (IGP). Hoje, é também uma referência no que toca à eficiência do uso de água, à estabilidade produtiva e à capacidade de demonstrar boas práticas.
Certificada, mais recentemente, pelo referencial SPRING, a Granfer tem vindo a reforçar a gestão e a evidência do uso eficiente da água. No terreno, esta abordagem assenta em medições contínuas e em decisões rápidas através das aplicações Clima e Rega da Wisecrop, integradas com estações meteorológicas, programadores de rega e sondas de humidade do solo.
A base do trabalho começa no microclima. Em vez de olhar apenas para previsões gerais, a equipa acompanha o comportamento meteorológico local: chuva efetiva, temperatura, humidade do ar, vento e radiação. Esta leitura fina ajuda a antecipar picos de evapotranspiração, a reconhecer períodos de maior risco de stress hídrico e, sobretudo, a evitar decisões ‘às cegas’ após episódios de precipitação irregular, algo comum na região.
A confirmação, porém, está no solo. Com sondas de humidade instaladas, torna-se possível observar a dinâmica real da água na zona radicular: quando o perfil está a recarregar, quando começa a descer abaixo do nível desejável e, em alguns casos, quando há percolação por excesso. Este tipo de informação permite afinar a duração e frequência da rega, reduzir desperdícios e melhorar a uniformidade entre setores. Também facilita decisões difíceis em períodos de restrição: priorizar momentos-chave do ciclo (por exemplo, fases sensíveis para o desenvolvimento do fruto) e limitar aplicações nos momentos certos.
2. Sonda de humidade do solo Wisecrop. 3. Impacto da pluviosidade na humidade do solo a 10 e 30 cm de profundidade.
Este acompanhamento microclimático tem ainda um efeito indireto na fitossanidade, particularmente relevante em pomares. Em anos ou períodos de maior humidade, a mesma informação de temperatura, chuva e, quando existe, humidade na folha, ajuda a caracterizar janelas de risco para doenças e a melhorar o momento de intervenção. Não se trata de ‘tratar mais’, mas de tratar melhor: escolher oportunidades em que a eficácia tende a ser superior e em que as condições de aplicação são mais seguras (por exemplo, evitando vento elevado). Uma rega bem ajustada também reduz excessos de humidade no coberto e no solo, o que pode contribuir para diminuir pressão de determinados problemas, sobretudo quando conjugada com uma boa gestão do vigor.
Segundo a engenheira Cristina Rosa, a prioridade tem sido transformar medições do terreno em decisões consistentes, com ganhos claros na eficiência do uso de água e numa abordagem mais robusta à sustentabilidade.
A Wisecrop é o sistema operativo agrícola que centraliza dados, pessoas e operações, ligando o campo ao escritório para uma agricultura mais eficiente e sustentável.