O projeto TomaBioTec quer aproximar ciência e produção agrícola ao validar, em condições reais, uma biosolução desenvolvida pelo InnovPlantProtect e ao criar tecnologias digitais capazes de acelerar a avaliação de novos bioprodutos.
O projeto TomaBioTec arrancou com um duplo objetivo: validar, em contexto real de campo, uma biosolução inovadora desenvolvida integralmente pelo InnovPlantProtect (InPP) para o tomate de indústria e desenvolver tecnologias digitais que permitam acelerar e tornar mais precisa a validação de biosoluções agrícolas. A iniciativa cruza biotecnologia e Deep Tech, criando um ciclo integrado de inovação que visa reforçar a sustentabilidade e a eficiência da produção agrícola.
Em causa está uma solução biotecnológica, com duas patentes registadas pelo InPP, que combina propriedades bioprotetoras e bioestimulantes. O objetivo é melhorar a qualidade e a produtividade do tomate de indústria – uma cultura com forte relevância económica em Portugal e na Extremadura espanhola.
“Os bioprotetores e bioestimulantes são produtos de base biológica que promovem a saúde das culturas, sem os impactos ecológicos associados aos tradicionais produtos de síntese química. A validação em campo é essencial, mas morosa e sujeita a variabilidade. O TomaBioTec vai desenvolver soluções tecnológicas que permitam acelerar este processo e melhorar a quantificação dos efeitos das biosoluções”, explica Ilaria Marengo, investigadora responsável pelo projeto. Segundo a responsável, os resultados poderão alargar o leque de soluções disponíveis no mercado, contribuindo para uma produção mais rentável e sustentável.
Os ensaios decorrem no Alentejo e na Extremadura espanhola, combinando metodologias agronómicas tradicionais com tecnologias avançadas, como drones, sensores multiespectrais e modelos de inteligência artificial. Esta abordagem permitirá monitorizar de forma detalhada o estado fitossanitário das culturas, a presença de pragas e doenças e o impacto do bioproduto ao longo de todo o ciclo produtivo.
O projeto é liderado pelo InnovPlantProtect, em colaboração com o Centro Tecnológico Nacional Agroalimentario Extremadura (CTAEX) e o Grupo Cordeiro.
O TomaBioTec foi um dos vencedores da 7.ª edição do Programa Promove, na categoria de projetos-piloto inovadores.
Nesta edição, o Programa Promove – uma iniciativa da Fundação la Caixa, em parceria com o Banco BPI e a Fundação para a Ciência e a Tecnologia – atribuiu 6,4 milhões de euros para apoiar 33 projetos e 20 ideias inovadoras. O objetivo é impulsionar o desenvolvimento sustentável das regiões do interior e zonas fronteiriças de Portugal, promovendo soluções replicáveis em territórios com características semelhantes.
Criado em 2019 e sediado em Elvas, o InnovPlantProtect é um laboratório colaborativo (CoLAB) dedicado ao desenvolvimento de soluções de base biológica e à prestação de serviços de diagnóstico e monitorização para a proteção de culturas mediterrânicas, com especial enfoque no combate a pragas e doenças emergentes associadas às alterações climáticas.
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