A passagem da depressão Kristin por Odemira está a deixar um rasto de destruição nas explorações agrícolas do concelho, com prejuízos provisórios superiores a dez milhões de euros e quebras de até 70% na capacidade produtiva de alguns produtores de pequenos frutos. O setor alerta para impactos na campanha atual, no emprego e nas exportações, e pede o alargamento urgente dos apoios extraordinários do Governo à região.
A depressão Kristin provocou danos severos em explorações agrícolas do concelho de Odemira, afetando de forma particular a produção de pequenos frutos. Segundo a Lusomorango – Organização de Produtores de Pequenos Frutos, entre os cerca de 40 produtores associados já foram apurados prejuízos diretos provisórios superiores a dez milhões de euros.
Em causa estão sobretudo estufas, infraestruturas agrícolas, sistemas de rega e equipamentos essenciais à produção, cuja destruição está a comprometer entre 50% e 70% da capacidade produtiva de várias explorações. Os números são ainda preliminares e poderão agravar-se, numa altura em que as previsões meteorológicas indicam instabilidade nos próximos dias.
“A destruição de infraestruturas compromete colheitas, contratos de exportação e postos de trabalho”, afirma Joel Vasconcelos, CEO da Lusomorango, sublinhando que está em causa “a capacidade produtiva imediata e futura de um setor estratégico para o país”.
Sem esse enquadramento, alertam, dezenas de explorações agrícolas e milhares de postos de trabalho poderão ficar em risco, por falta de acesso aos mecanismos de compensação para os estragos provocados pelo temporal. A Lusomorango pede também a abertura da linha de apoio prevista no Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC) destinada ao restabelecimento do potencial produtivo.
A Lusomorango representa uma parte relevante deste universo, sendo responsável por 17% da produção nacional de pequenos frutos. Em 2024, a fileira exportou 348 milhões de euros, com a organização a responder por cerca de um terço desse valor.
A Lusomorango defende uma resposta “rápida, eficaz e justa”, que inclua todos os produtores afetados pela depressão Kristin nos apoios extraordinários, com processos simplificados e execução célere, para evitar danos considerados potencialmente irreversíveis na capacidade produtiva e no tecido económico da região.