Evento contou com a presença do primeiro-ministro, António Costa, e do ministro da Agricultura espanhol, Luís Planas

Agricultura portuguesa encara a próxima década com uma Agenda de Inovação ambiciosa

Ana Clara e David Pozo16/09/2020

Ambição. É a palavra que define a nova Agenda de Inovação para a Agricultura 2020-2030, apresentada a 11 de setembro, pelo Governo, na Agroglobal, em Valada do Ribatejo. O documento, intitulado ‘Terra Futura’, assume uma visão estratégica para a agricultura, alimentação e território para os próximos dez anos. Revista Agriterra marcou presença no evento, onde deu a conhecer ao setor a primeira edição impressa

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Ambição. É a palavra que define a nova Agenda de Inovação para a Agricultura 2020-2030, apresentada a 11 de setembro, pelo Governo, na Agroglobal, em Valada do Ribatejo, concelho do Cartaxo. O documento, intitulado ‘Terra Futura’, assume uma visão estratégica para a agricultura, alimentação e território para os próximos dez anos.

Foi Maria do Céu Antunes, ministra da Agricultura, que apresentou as metas desta Agenda. Segundo a ministra, o documento passou pela auscultação de “mais de 1000 cidadãos” de todo o país e conta com “cinco intenções estratégicas com cinco metas”, tendo sido criados quatro pilares, identificando os seus destinatários, e traçadas “15 iniciativas emblemáticas e 71 linhas de ação”, que vão materializar as metas e os objetivos.

O plano inclui uma rede de inovação estruturada por 24 polos, “unidades que criam valor para a produção nacional”, numa “rede de incubação de base rural”, em todo o território, ligada a “outros centros de saber”.

“Pensada para uma década, (esta Agenda) pretende nortear a estratégia e as políticas do setor, terá em vista uma agricultura ainda mais sustentável, competitiva e inovadora, emissora e recetora de conhecimento”, salientou Maria do Céu Antunes, acrescentando que “queremos uma agricultura próxima do consumidor, ligada ao território e ao que é endógeno”.

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A ministra da Agricultura durante a apresentação da Agenda de Inovação 20-30.
Tudo, considera a governante, porque “temos consciência dos desafios que temos pela frente, desde as mudanças climáticas à alteração de modelos de consumo e da digitalização”.

Pretende-se um modelo agrícola sustentável, que assegure uma alimentação de qualidade e em quantidade, “muito assente em produtos frescos, da época, locais”, em cadeias curtas, por forma a reduzir a pegada ecológica, avançou.

Governo cria 24 centros para modernizar agricultura

Nesta Agenda, haverá 24 centros de modernização da agricultura. Tavira terá um centro dedicado à dieta mediterrânica e em Elvas será estudada a adaptação do território às alterações climáticas.

São centros de estudos, estações experimentais, quintas e herdades e encontram-se dispersos por todo o país. Fazem parte do património do Ministério da Agricultura mas estão “obsoletos” e sem recursos. Nos próximos anos, 24 edifícios vão ser apetrechados com tecnologia de ponta e trabalhadores qualificados, para criar uma rede que terá como objetivo a modernização da agricultura nacional.

“Esta ambição vai ao nível de criar metas para estes objetivos estratégicos, como aumentar a adesão à dieta mediterrânica, o rendimento do setor agroalimentar em 15%, instalar pelo menos 80% dos novos jovens agricultores em territórios do interior, mais de metade da área agrícola em regimes de produção sustentável certificada e aumentar em 60% o investimento em investigação e desenvolvimento”, acrescentou.

Para atingir este propósito, temos de ter cidadãos mais conscientes do papel da alimentação na saúde e bem-estar, e agentes de políticas públicas que apoiem a agricultura e o seu desenvolvimento.

A Agenda assenta em quatro pilares – Sociedade, Território, Cadeia de Valor e Estado – e define 15 iniciativas emblemáticas: Alimentação saudável, Uma só saúde, Mitigação ás alterações climáticas, Adaptação ás alterações climáticas, Agricultura circular, Territórios sustentáveis, Revitalização das zonas rurais, Agricultura 4.0, Programa dos produtos agroalimentares, Excelência da organização da produção, Transição agro-energética, Promoção da investigação, Inovação e capacitação, Rede de Inovação, Portal Único da Agricultura e Reorganiza.
O documento foi construído tendo por base o Programa de Governo e ouvindo os vários agentes do setor agroalimentar, do desenvolvimento local, e que juntou ainda produtores, empresários, autarcas, investidores, parceiros e organismos.

A Agenda da Inovação para a Agricultura 20-30 tem cinco metas objetivas:

  • Mais Saúde (aumentar em 20% o nível de adesão à Dieta Mediterrânica)
  • Mais Inclusão (instalar 80% dos novos jovens agricultores em territórios de baixa densidade)
  • Mais Rendimentos (aumentar o valor da produção agroalimentar em 15%)
  • Mais Futuro (mais de metade da área agrícola em regimes de produção sustentável reconhecidos)
  • Mais Inovação (aumentar em 60% o investimento em investigação e desenvolvimento).

"É essencia apoiar o setor agroalimentar", defendeu Luis Planas

Apesar dos constrangimentos atuais da pandemia de Covid-19, Luís Planas, Ministro da Agricultura Espanhol, fez questão de marcar presença a 11 de setembro, em Valada do Ribatejo, na conferência da manhã, onde foi anunciada a Agenda para a Inovação 20-30 para Portugal.

Na sua intervenção, o titular da pasta da Agricultura, Pecuária e Pescas do país vizinho, começou por dizer que "é essencial apoiar o setor agroalimentar" porque "nesta crise sanitária todo o setor - produção, distribuição e agroalimentar - estiveram na linha da frente no que respeita ao fornecimento dos produtos aos consumidores, e isso foi notório não só ao nível da qualidade como da quantidade".


O governante salientou que Portugal e Espanha "são responsáveis por 14,5% de toda a produção agrícola na UE-27" e lembrou que ambos os países congregam "12,9% da população". Por tudo isto, "Portugal e Espanha têm desafios comuns no quadro europeu e internacional" e "devem trocar experiências e promover a cooperação em todas as áreas em defesa de um setor agrícola que tem futuro". 

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Os ministros da Agricultura de Portugal e Espanha à conversa em Valada do Ribatejo.

Planas delineou também os desafios que os Estados e as suas tutelas têm pela frente na missão de apoiar o agricultor: "e este é um momento-chave para os recordar e explicar que a Política Agrícola Comum (PAC) vai significar uma das maiores transformações da agricultura europeia em muitas décadas". 

O ministro colocou igualmente a tónica do seu discurso na rentabilidade das empresas. "As margens têm de ser as necessárias para que o agricultor possa continuar a viver do seu trabalho, e neste momento há muitas incógnitas no mercado e a um nível climático que dificultam a produção e as vendas". 

Luis Planas não esqueceu, na sua intervenção, a sustentabilidade. "A sustentabilidade tem apenas a ver com ter explorações agrícolas rentáveis. Passámos de uma economia linear para uma economia circular e temos a oportunidade de combater as alterações climáticas, porque o consumidor também nos pede que o façamos", afirmou.

"Por exemplo, no caso da irrigação, temos, sem dúvida, de caminhar para uma irrigação eficiente, porque graças às novas tecnologias conseguimos tornar cada gota de água rentável. Em Espanha, foi possível reduzir o consumo de água na agriculturaem 14% em 20 anos, período durante o qual a superfície irrigada aumentou 9%".

Luis Planas lembrou também os desafios social e geracional que o setor primário enfrenta. "Em Espanha dois terços dos profissionais do setor primário têm mais de 55 anos, e esta situação traz consigo uma oportunidade de incorporar os jovens e as mulheres no setor. A digitalização e melhoria das comunicações nas zonas rurais irá certamente desempenhar um papel neste desafio", acrescentou.

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Luis Planas durante a sua intervenção na Agroglobal.

Prioridades europeias para a agricultura

Também o primeiro-ministro, António Costa, esteve presente no evento, tendo feito a abertura da sessão. O Chefe de Governo português afirmou que a agricultura tem vindo a desempenhar um papel fundamental na economia portuguesa e revelou ser fundamental durante os meses mais complicados da pandemia, em março e abril.

António Costa agradeceu aos agentes do setor o esforço feito, sobretudo numa situação totalmente atípica, para garantir que nenhuma cadeia de abastecimento fosse quebrada e que nunca faltasse alimento na casa dos portugueses.

Costa frisou também que a inovação tem sido fundamental na agricultura e que foi graças a ela que, durante a última década, Portugal reduziu em cerca de 400 milhões de euros o seu défice alimentar, as exportações do setor cresceram em média 5% por ano e quem em 2019 as exportações do setor agroalimentar já representavam 11% da totalidade da exportação de bens de Portugal.

Portugal exporta neste momento para 185 mercados, "mais de 50 foram abertos nos últimos cinco anos", e o primeiro-ministro sublinhou que esta evolução só foi possível ao colocar a inovação no centro do processo agrícola.

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O primeiro-ministro, António Costa, disse que a inovação tem sido fundamental na agricultura portuguesa. 

O primeiro-ministro lembrou que “reforçar a resiliência da Europa e acelerar a dupla transição digital e climática” são os dois grandes pilares que a estratégia europeia definiu para a agricultura.

António Costa salientou a necessidade de Portugal e a União Europeia poderem estar mais resilientes para os riscos das alterações climáticas e também para “aumentar a autonomia estratégica”.

“A pandemia deixou claro que não podemos depender de cadeias de valor globalizadas em que, pela sua extensão, aumenta o risco de rotura de abastecimento de bens essenciais, como são os bens agroalimentares”, acrescentou.

O primeiro-ministro realçou que “a Europa vai ter de saber produzir mais e melhor, aliando a resiliência à dupla transição”. “É um desafio ganhar e reforça o sentido do futuro desta atividade”, disse.

“O investimento em inovação é crítico para o futuro da agricultura. Temos de produzir mais num contexto em que os recursos escasseiam e as alterações climáticas nos colocam desafios muito particulares”, vincou.

Costa recordou que Portugal é um dos países da União Europeia que mais sofrerá com os riscos das alterações climáticas, seja através da escassez de água, da erosão costeira, dos incêndios florestais ou da imprevisibilidade do clima.

Todos estes fatores são riscos para a agricultura pelo que é essencial ver a agricultura e o ambiente como aliados: “A agricultura dá um contributo inestimável para a regulação das alterações climáticas e o ambiente é indispensável para subsistência da agricultura”.

O governante reiterou a importância da utilização das tecnologias de informação como ferramenta de trabalho agrícola e sublinhou que dos 26 Laboratórios Colaborativos criados nos últimos anos, sete são no setor agroalimentar.

“A inovação vai ter um papel fundamental para assegurar que a alimentação contribui cada vez mais para uma melhor saúde, para uma maior coesão territorial, maior sustentabilidade ambiental essencial para preservar recursos necessários ao desenvolvimento da agricultura, para a produção de bens que acrescentem maior valor, não só para o vendedor mas também para o produtor, e para que o maior rendimento permita contribuir ainda mais para o rejuvenescimento desta atividade”, sublinhou.

No vídeo abaixo, pode rever a conferência: 

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A ministra Maria do Céu Antunes e David Pozo, responsável da Agriterra.

Revista Agriterra na Agroglobal

A revista Agriterra marcou presença no dia 11 de setembro, na Agroglobal, estando presente na conferência da manhã onde foi apresentada a Agenda de Inovação para a Agricultura Portuguesa 20-30.

Durante o evento, a primeira edição da nossa revista - que conta, entre inúmeros trabalhos, com uma entrevista à ministra da Agricultura -, esteve em distribuição no recinto da Agroglobal, tendo sido muito bem recebida pelo setor. 

No final do evento, Ana Clara e David Pozo, da redação da Agriterra, tiveram oportunidade de conversar com a titular da pasta da Agricultura, e de lhe dar a conhecer in loco, a primeira edição.

Recorde-se que a Agriterra é uma publicação técnica, centrada no setor agrícola nacional, e que se assume como uma revista especializada e uma âncora de informação credível para os agricultores portugueses.

Nesta primeira edição, além da atualidade do setor, de abordagens incisivas sobre temas como a vinha, os cereais e o setor da maquinaria agrícola em Portugal, publicamos, como já referimos, uma Grande Entrevista com a ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes. Uma conversa que demonstra o foco do país em termos estratégicos. 

Pode consultar a edição n.º1 da Agriterra, aqui.

De recordar que a Agriterra insere-se no processo de expansão que a Induglobal - editora do grupo Interempresas Media - iniciou no mercado português em maio de 2019. Fique a conhecer-nos melhor aqui: www.induglobal.pt.

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Maria do Céu Antunes e David Pozo à conversa, à margem do encontro.
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