75 ATIVOS AGRÍCOLAS Hoje, quando os investidores institucionais consideram um novo investimento, estão conscientes de que os retornos esperados são menos atrativos do que eram há alguns anos. Não só a terra é mais escassa e mais cara, como também o financiamento é mais complicado. Além disso, a disponibilidade de água e o impacto de fenómenos climáticos extremos criam mais incerteza entre os investidores. O risco de uma futura sobreprodução em determinadas culturas e o aumento da concorrência internacional também preocupam os investidores. QUE OPORTUNIDADES É QUE ESTES INVESTIDORES PERSPETIVAM? Sem dúvida que a oportunidade é marcada pela visão de longo prazo - décadas - que estes investidores têm, que ultrapassa os ciclos de mercado. Muitas vezes, estes ativos têm obrigações com os sistemas de pensões que se estendem por várias décadas. Além disso, muitos deles ainda têm de cumprir um mandato de diversiRoberto Vitón, diretor da Valoral Advisors. ficação na agricultura, e as culturas intensivas ainda oferecem geralmente taxas de rendimento esperadas mais elevadas do que as culturas extensivas, como os cereais e as oleaginosas. A possibilidade de investir com uma maior integração vertical - incluindo o acesso aos canais de retalho - é outro fator. Atualmente, estes investidores procuram retornos líquidos de, pelo menos, 8% ou 10% em dólares, embora este número possa variar em função de vários fatores, incluindo o facto de se tratar de um investimento “greenfield” ou de um investimento num ativo já desenvolvido e com cash flow. Neste contexto, Espanha e Portugal continuam a ser uma das poucas opções disponíveis no universo dos países da OCDE, quando se considera a lista de critérios para estes investidores. Precisamente, um dos aspetos que os investidores institucionais exigem atualmente é a implementação de um sistema de produção sustentável que vise práticas alinhadas com a agricultura regenerativa. As culturas de cobertura, a utilização de bioestimulantes e biopesticidas, a pegada hídrica e carbónica da agricultura... são temas recorrentes nas conversas com estes investidores. O QUE É QUE PODEMOS ESPERAR NO FUTURO? É provável que vejamos alguns novos investidores institucionais a entrar na Península, em alguns casos investindo em ativos previamente desenvolvidos por outros investidores. Acima de tudo, esperamos ver uma maior seletividade em áreas geográficas com maior segurança hídrica e condições climáticas favoráveis, bem como em variedades com melhor aptidão produtiva e comercial. A este respeito, o desenvolvimento genético e o melhoramento vegetal desempenharão um papel fundamental como parte do roteiro para investimentos mais sustentáveis e resilientes. Com uma maior profissionalização do setor e a consolidação em curso, espera-se também uma racionalização gradual destas carteiras à medida que amadurecem. Isto levará à compra e venda de certos ativos por uma questão de estratégia e de eficiência operacional. Muitos destes investidores acabarão por consolidar plataformas de produção internacionais, com presença em geografias tão diversas como os Estados Unidos, a América Latina, Marrocos, a África do Sul e a Austrália. n
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