74 ATIVOS AGRÍCOLAS pelas alterações climáticas. Mais recentemente, as pandemias e as tensões geopolíticas realçaram a importância do setor e a relevância das cadeias logísticas. Esta transformação gerou um fluxo crescente de investimento em toda a cadeia de valor alimentar e agrícola, atraído pela expetativa de retornos atrativos. Já no início da última década, o mundo do investimento começou a incorporar progressivamente ativos agrícolas nas suas carteiras, com vista à diversificação e apostando na geração de retornos estáveis e de longo prazo, em linha com as tendências estruturais que têm dominado o setor. Assim, um número crescente de investidores institucionais - incluindo fundos de pensões, fundos soberanos e seguradoras - investiram tanto diretamente como através de fundos especializados. Entre 2010 e 2024, o número de fundos de investimento em terras agrícolas triplicou, atingindo atualmente mais de 220 fundos com ativos de cerca de 50 mil milhões de dólares. Os investimentos diretos atingem um montante semelhante. A PENÍNSULA IBÉRICA COMO UM GRANDE CENÁRIO A Península Ibérica tem sido um pólo de atração para estes investidores, graças à sua posição de liderança na agricultura mediterrânica, com uma escala produtiva, condições favoráveis de solo, clima e disponibilidade de água, e acesso ao mercado europeu, o que reduz o risco agrícola e comercial. Além disso, o Estado de direito e, em particular, os direitos de propriedade, bem como todo o quadro jurídico oferecido pela União Europeia, oferecem uma garantia de respeito pelo capital local e estrangeiro. Por estas razões, Espanha e Portugal receberam uma parte significativa destes investimentos, que se destinaram principalmente ao desenvolvimento de culturas de elevado valor, como a azeitona e a amêndoa, mas também de outras, como os citrinos, os frutos de caroço, as bagas e, mais recentemente, o pistácio e o abacate. É evidente que esta vaga de investimentos teve várias consequências. Entre elas, um interesse sustentado pela terra para plantação, com o consequente aumento do valor da terra. As culturas intensivas continuam a oferecer, em geral, taxas de rendimento esperadas mais elevadas do que as culturas extensivas, como os cereais e as oleaginosas.
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