BA20 - Agriterra

PREVENÇÃO DE PRAGAS 72 Estas medições permitem estimar uma série de índices de vegetação que refletem a resposta fisiológica das plantas de oliveira à infeção por X. fastidiosa. O nosso desafio é caraterizar um conjunto de indicadores comuns a todas as combinações de variedades/estirpes de azeitona com X. fastidiosa, que nos permitam identificar “traços” especiais nas plantas infetadas que sejam diferentes dos das plantas saudáveis “não infetadas”. Estes indicadores poderiam também contribuir significativamente para facilitar o desenvolvimento de programas de melhoramento da resistência da oliveira a esta bactéria. Para contribuir para este objetivo, foi concebida uma plataforma de fenotipagem para obter a assinatura espetral de plantas de oliveira infetadas e não infetadas. A plataforma de fenotipagem é composta por uma estrutura de aço inoxidável, especificamente concebida para este fim, um dispositivo de iluminação de halogéneo e uma câmara de varrimento hiperespectral, colocada numa placa que se move verticalmente (Figura 3A). Este sistema permite efetuar a varredura de plantas com uma altura máxima de 160 centímetros em apenas 20 segundos (Figura 3C). A câmara hiperespectral (figura 3B) capta imagens de alta resolução (3,5 milímetros por pixel) na gama do visível e do infravermelho próximo (VNIR), entre 400 e 1000 nanómetros, distribuídas por 271 bandas espectrais, o que permite obter um elevado nível de pormenor. As medições hiperespectrais podem ser utilizadas para estimar vários indicadores fisiológicos, bioquímicos e estruturais que serão analisados através de várias técnicas de análise estatística, a fim de caraterizar as plantas infetadas ou não pela X. fastidiosa. Uma vez concluído o desenvolvimento desta plataforma de fenotipagem, o seu procedimento de utilização consiste, em resumo, em duas fases: a aquisição de imagens hiperespectrais e o seu posterior tratamento automático. A partir das imagens, os pixéis representativos da vegetação são extraídos através de algoritmos que definem limiares em regiões de interesse. Posteriormente, são aplicadas técnicas de aprendizagem automática, supervisionadas e não supervisionadas, para analisar os dados obtidos. Por fim, são calculados os índices espectrais da vegetação e integrados em algoritmos de classificação supervisionados para correlacionar com a presença confirmada de X. fastidiosa através da análise quantitativa por PCR. Os dados obtidos com sensores proximais e a plataforma de fenotipagem têm um elevado potencial para detetar a infeção por X. fastidiosa em olivais em fases precoces e assintomáticas, o que constitui uma ferramenta valiosa para a identificação precoce de infeções e o desenvolvimento de estratégias de gestão mais eficazes. Além disso, pode facilitar a seleção precoce de genótipos de oliveira resistentes ou tolerantes à infeção bacteriana, contribuindo significativamente para os programas de melhoramento. n AGRADECIMENTOS: O projeto BeXyl (Beyond Xylella, Integrated Management Strategies for Mitigating Xylella fastidiosa impact in Europe; Grant ID No. 101060593) é financiado pelo Programa Horizonte Europa da União Europeia “Alimentação, Bioeconomia, Recursos Naturais, Agricultura e Ambiente”. Sensores proximais utilizados neste projeto: (A) Porometer; (B) Dualex e (C) Spectrapen. (A) Plataforma de fenotipagem (B) Detalhe da câmara hiperespectral e da iluminação (C) Ligação QR para ver um vídeo que mostra o funcionamento da plataforma.

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