7 Bruxelas apresenta plano de mudança de direção para setor agroalimentar europeu A Comissão Europeia (CE) apresentou a sua 'Visão para a Agricultura e Alimentação', um roteiro ambicioso para o futuro do mercado agroalimentar na Europa. O setor produtivo vê com bons olhos esta mudança de rumo da CE, que pretende responder às exigências dos agricultores e criadores de gado e, ao mesmo tempo, garantir a soberania alimentar da UE-27, embora existam sérias dúvidas sobre se a futura PAC terá orçamento suficiente para avançar com todas as medidas propostas. Uma maior simplificação das políticas e a adoção da inovação e da digitalização são as principais linhas de trabalho traçadas no documento aprovado em Bruxelas 'Visão sobre a Agricultura e a Alimentação', que apresenta uma série de reflexões sobre o futuro do setor agroalimentar na UE-27. O documento aprovado pela CE, sob o lema 'Construir em conjunto uma agricultura e um setor agroalimentar atrativos para as gerações futuras', deverá ser desenvolvido no papel ao longo de 2025, para o qual a Comissão irá propor um pacote abrangente de medidas com o objetivo de simplificar o atual quadro legislativo agrícola, bem como promover uma estratégia digital da UE para a agricultura, a fim de apoiar a transição que o setor primário está atualmente a atravessar. A visão define quatro áreas prioritárias para um setor atrativo, competitivo e resiliente, com futuro e com condições de vida e de trabalho justas nas zonas rurais. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, afirmou: “os nossos agricultores são fundamentais para o sistema de produção alimentar da UE. É graças ao seu trabalho quotidiano e árduo que todos nós dispomos de alimentos seguros e de elevada qualidade. No entanto, os nossos agricultores estão a enfrentar desafios crescentes decorrentes da concorrência mundial e das alterações climáticas. É por isso que estamos agora a propor uma estratégia global que torna a agricultura mais atrativa, resistente e sustentável”. EDITORIAL A conjuntura internacional domina os mercados e afeta todos os setores, com especial relevância para os efeitos na essencial cadeia de valor agroalimentar. A instabilidade geopolítica numa Europa condicionada pelo conflito na Ucrânia agrava-se com a reeleição de Trump, e as tarifas impostas sobre materiais como o alumínio e o aço são retaliadas pela União Europeia com um pacote de medidas contra as importações dos EUA para a UE, incluindo na fileira dos cereais. A guerra comercial está instalada. Em destaque, nesta primeira edição da Agriterra em 2025, o Dossier ‘Mercado: Cereais’ que, para além de uma exaustiva análise à produção e comércio de trigo e de milho a nível mundial, a cargo da aestivum, dá voz a associações e produtores em Portugal, que comentam a escassez de autoaprovisionamento, a volatilidade dos preços e os crescentes riscos climáticos e exigências regulamentações ambientais. Em reportagem no 12.° Colóquio Nacional do Milho, realizado em fevereiro na Figueira da Foz, e numa coluna assinada pelo presidente da ANPROMIS, aprofundamos os desafios concretos que, neste contexto, se colocam ao setor nacional do milho. E, como sugere Jorge Dias, concluímos que os “quiet days are gone”… Numa altura em que o Governo apresenta a Estratégia Nacional 'Água que Une', cujo investimento pretende garantir a gestão sustentável deste recurso em todo o território nacional, nos próximos 15 anos, a Agriterra anuncia mais uma edição da sua Conferência Técnica do Olival, este ano dedicada à temática ‘O Futuro do Olival: Sustentabilidade e Tecnologia na gestão da água’. O encontro, agendado para o dia 23 de maio, no Évora Hotel, volta a reunir os profissionais ligados ao setor olivícola com o objetivo de gerar valor através da partilha de conhecimento e networking. Lamentando o afastamento, desde o primeiro momento, dos agricultores e das suas organizações da ‘mesa de negociações’ do PEPAC, o secretário-geral da CAP, analisa, em Opinião, os resultados de um programa “desajustado da realidade dos agricultores e alheio às dificuldades da agricultura portuguesa”. Para Luís Mira, o futuro “exige uma Administração mais consciente, responsável, articulada e colaborativa” na implementação de uma estratégia “robusta” e, diríamos nós, “efetiva”. Ainda a não perder, neste número, o Especial ‘Viticultura em Portugal’ onde fica a conhecer a importância de recuperar as castas autóctones nacionais e as vantagens e desvantagens das vinhas de regadio e de sequeiro. Boa leitura. Guerra comercial desafia mercados agrícolas
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