BA20 - Agriterra

CULTIVO: MILHO | OPINIÃO Existem mecanismos ao nosso alcance que poderão estancar e até inverter a perigosa trajetória de redução de áreas de produção de milho 44 Quiet days are gone… Os efeitos da imposição de tarifas às importações por parte da Administração Trump (e respetivas retaliações por parte dos países afetados) irão perdurar, e iremos vivenciar um período de instabilidade e volatilidade cambial e de preços de commodities pelo menos durante dois anos. A evolução recente da relação euro/dólar e do preço do milho na Bolsa de Chicago poderão ser um pequeno prenúncio deste cenário. Jorge Neves, presidente da ANPROMIS Com a queda do Muro de Berlim, em novembro de 1989, a Europa achou que a História tinha chegado ao fim e que, a partir de aí, a bondade intrínseca dos povos traria a paz, a harmonia e a prosperidade para todo o sempre. Nem os episódios do 11 de setembro de 2001 e da pandemia da Covid-19 conseguiram despertar a Europa da letargia e do estado de negação em que mergulhou durante estas curtas décadas de paz e prosperidade. Somente, mais recentemente, o eclodir da guerra na Ucrânia e, finalmente, a entrada em funções da Administração Trum, fizeram cair a máscara e revelar que, afinal, o maior bloco económico mundial padece de fragilidades que poderão, no limite, levar à sua completa irrelevância, num contexto de multipolarismo e de emergência de novos blocos de interesse económico, político e militar. Portugal conta para esta equação? Definitivamente, não! No entanto, isso não nos exime de, dentro daquilo que é o nosso papel no contexto da União Europeia, tomarmos as medidas adequadas aos nossos interesses estratégicos permanentes, seja lá o que isso significar para os nossos decisores políticos. Tenho, para mim, que os efeitos da imposição de tarifas às importações por parte da Administração Trump (e respetivas retaliações por parte dos países afetados) irão perdurar por bastante tempo, e que iremos vivenciar um período de instabilidade e volatilidade cambial e de preços de commodities, pelo menos durante os próximos dois anos. A evolução recente da relação euro/dólar e do preço do milho na Bolsa de Chicago poderão ser um pequeno prenúncio deste cenário. O fraco grau de autoaprovisionamento de milho em Portugal expõe-nos, perigosamente, a esta circunstân-

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