MERCADO: CEREAIS 41 Nos últimos anos, a investigação neste setor tem avançado significativamente no desenvolvimento de tecnologias que permitem a produção e aplicação de produtos para a agricultura de origem natural através da utilização de resíduos agrícolas. Os biofertilizantes e bioestimulantes, produzidos através de processos sustentáveis, não só melhoram a saúde e a produtividade das culturas, como também estão em conformidade com as diretrizes europeias para a redução da utilização de fertilizantes químicos. Assim, oferecem benefícios ao agricultor e ao consumidor final, promovendo uma produção mais limpa e mais eficiente ao longo do seu ciclo de vida. O rápido crescimento da população, associado aos efeitos adversos das alterações climáticas, é um dos maiores desafios globais que a sociedade enfrenta atualmente, de acordo com o Relatório das Nações Unidas sobre as Perspetivas da População Mundial 2022. Esta situação poderá conduzir a uma crise de segurança alimentar sem precedentes. Existe, por isso, uma necessidade urgente de explorar e adotar novas abordagens agrícolas que integrem o desenvolvimento e a industrialização de tecnologias sustentáveis e respeitadoras do ambiente. Estas estratégias têm por objetivo aumentar a produção primária, promovendo simultaneamente uma economia menos dependente dos recursos fósseis através do incentivo à utilização de energias e matérias-primas renováveis. A bioeconomia propõe princípios baseados na circularidade através da produção de produtos e de energia a partir de recursos biológicos renováveis, como os resíduos agrícolas. Atualmente, estão a ser envidados grandes esforços na procura de produtos biológicos para fertilização e fitossanidade, mas ainda existe uma baixa diversidade de produtos industrializados e a preços competitivos disponíveis no mercado para satisfazer a procura crescente e as orientações europeias. O PAPEL DOS MICRORGANISMOS NA AGRICULTURA SUSTENTÁVEL Uma das abordagens mais promissoras para responder a esta necessidade reside na utilização de microrganismos como aliados na agricultura. Foi demonstrado que os microrganismos promotores do crescimento das plantas (PGPM), que ocorrem naturalmente nas folhas e raízes das plantas e no solo circundante, desempenham um papel fundamental na saúde e no crescimento das plantas. Isto é particularmente importante em culturas essenciais como o trigo, que estão cada vez mais ameaçadas por flutuações climáticas e práticas extensivas, enfrentando condições de stress severas e limitando o seu acesso à água e aos nutrientes. A aplicação de PGPMs é uma estratégia fundamental para aumentar os rendimentos da produção de trigo de forma sustentável. Esta estratégia está diretamente alinhada com os objetivos da iniciativa 'Farm to Fork' (Do prado ao prato) promovida pela União Europeia no âmbito do Pacto Ecológico Europeu. A estratégia 'Do prado ao prato' tem por objetivo transformar o sistema alimentar europeu num modelo mais sustentável. Esta iniciativa tem por objetivo reduzir o impacto ambiental da agricultura, promover a utilização de práticas sustentáveis e melhorar a saúde pública através de uma alimentação mais saudável e segura. Um dos principais pilares desta estratégia é a redução da utilização de fertilizantes químicos em 20% até 2030. Esta abordagem tem um impacto direto na redução dos custos para os agricultores e na atenuação do impacto ambiental associado à utilização excessiva de fertilizantes. As vantagens da substituição gradual dos fertilizantes químicos por PGPM incluem, assim, uma maior eficiência na utilização dos fertilizantes. Isto porque os microrganismos desempenham um papel fundamental na disponibilidade de nutrientes essenciais, como o azoto e o fósforo, reduzindo assim a quantidade de fertilizantes aplicados. Esta redução não só conduz a poupanças económicas significativas para os agricultores, como também contribui para reduzir a poluição dos solos e das águas subterrâneas. Além disso, os microrganismos promotores do crescimento das plantas podem melhorar a saúde do solo. Ao reduzir a utilização de produtos químicos e ao incentivar uma maior biodiversidade microbiana, a estrutura do solo é melhorada a longo prazo, contribuindo para a regeneração do solo e aumentando a sua capacidade de retenção de água e nutrientes. Além disso, uma diminuição da utilização de fertilizantes conduz a uma redução das emissões de gases com efeito de estufa associadas à sua produção e aplicação. O risco de eutrofização dos rios e lagos devido ao escoamento destes produtos é também minimizado. A eficácia dos microrganismos depende de fatores como a temperatura, o pH e a humidade do solo, o que pode limitar a sua utilização em climas extremos ou em solos muito degradados
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