BA20 - Agriterra

33 MERCADO: CEREAIS dificilmente a concorrência nos poderá ultrapassar. Refiro-me, por exemplo, a trigos moles de altíssima qualidade, quando comparados a trigos moles alemães, embora com produções pequenas; refiro-me também a baby food, às farinhas que vão estar na base das papas para alimentar os nossos bebés, cujos trigos têm uma exigência muito grande de matérias ativas, nomeadamente de agroquímicos e pesticidas; ou à cevada portuguesa, com um potencial muito grande pela sua qualidade extraordinária e adaptabilidade à produção de malte, que é o principal ingrediente no fabrico da cerveja (e as maltarias portuguesas são, inclusivamente, grandes exportadores)”, detalha José Maria Rasquilha. A convicção da CERSUL é que “temos de procurar estes nichos de mercado e aproveitar estas oportunidades”, centradas essencialmente no Baixo e no Alto Alentejo e também no Ribatejo, onde se situam terras aráveis com extensão para produzir em alguma quantidade. “Regiões estas que, como todos sabemos, com a instalação do Alqueva e de mais perímetros de rega e com a procura por terra arável, têm diminuído a qualidade do seu solo e têm-se subdividido para culturas permanentes (amendoal e, principalmente, olival) e para outras onde há alternativas mais atraentes”, aponta o presidente do Agrupamento de Produtores do Sul. “O que leva à diminuição da área arável”, conclui, recordando que os números oficiais do INE e do Ministério da Agricultura revelam que a produção de cereais praganosos e de milho tem vindo a diminuir ano após ano. Não obstante, a CERSUL “acredita ainda muito na cerealicultura em Portugal e na produção de cereais praganosos”, garante o responsável, apelando “a que haja algumas ajudas para as culturas de cereais no interior do país”, as quais deverão ser articuladas com políticas de valorização destas regiões para fixar populações, evitar o abandono e a desertificação, prevenir fogos florestais, preservar áreas adjacentes (montados, etc.). “Temos de pensar na produção de cereais de uma forma integrada com a vida rural, a caça e o crescente turismo rural, não só no Alentejo, mas em todo o país”. As ajudas à produção devem ser equacionadas “também ao nível de uma série de fatores em cadeia e de fatores em economia de escala que derivam da interioridade”, reitera José Maria Rasquilha, e este investimento deve ser feito com “políticas integradas do governo e da comunidade” nos setores da agricultura, da pecuária e do desenvolvimento regional do interior do país. mas também do milho e do arroz”, garante. De resto, as três organizações que representam a fileira - ANPOC, ANPROMIS - Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo e AOP - Associação de Orizicultores de Portugal “estão a trabalhar nesta estratégia com o Ministério”, e José Palha espera que “uma ajuda da tutela” permita manter uma perspetiva “longe de pessimista” do mercado de cereais em Portugal. TECNOLOGIAS DE PRECISÃO E GENÉTICA MELHORAM PRODUTIVIDADE Defendendo que nos últimos anos a produção de cereais em Portugal “tem mostrado um crescimento unitário consistente, impulsionado por técnicas agrícolas cada vez mais avançadas”, o secretário-geral da ANPROMIS – Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo considera, no entanto, que “desafios como a variabilidade climática e os custos de produção continuam a ser preocupantes”. A que se soma “a crescente saída de inúmeras substâncias ativas que dificultam a proteção das nossas searas e colocam os produtores europeus numa situação de reconhecida desvantagem competitiva face a países de outros hemisférios, como os do Mercosul, onde continuam a ser utilizados produtos fitofarmacêuticos há muito proibidos na Europa”, acusa Tiago Silva Pinto. “A única solução para continuar a fazer cereais praganosos em Portugal é apostar em pequenos nichos de mercado que dificilmente a concorrência poderá ultrapassar” Tiago Silva Pinto, secretário-geral da ANPROMIS – Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo.

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