BA20 - Agriterra

32 MERCADO: CEREAIS TRIGO MOLE SÓ ABASTECE 3% A 5% DO MERCADO NACIONAL Perspetivando o mercado de cereais como “extremamente complexo, uma vez que está globalizado a nível de vários continentes, da Austrália à Ucrânia, Rússia, Argentina, Brasil, Canadá e aos Estados Unidos, grande produtor”, o presidente da Comissão Executiva da CERSUL - Agrupamento de Produtores de Cereais do Sul explica que este “está de tal forma pulverizado e dividido pelo mundo fora que não há propriamente um país que tenha a expressão da produção, nomeadamente do trigo”. O que leva a que “vários fatores possam influenciar no seu preço”, sublinha José Maria Rasquilha. A facilidade de compra do produto neste mundo globalizado “é muito grande”, o que faz com que “a concorrência com os trigos franceses, americanos, argentinos ou ucranianos chegue a Portugal e esteja muito facilitada pelas grandes empresas de brokers mundiais”, detalha o também vice-presidente da ANPOC. E “este preço globalizado, no fundo, determina o preço do mercado a nível mundial”, conclui. Por isso, as grandes indústrias portuguesas, que essencialmente compram, são pouco dependentes do produto nacional, afirma ainda José Maria Rasquilha. “Para termos uma ideia, o trigo mole só abastece o mercado nacional em cerca de 3% a 5%, dependendo dos anos, o que quer dizer que essas empresas importam pelo menos 95% da sua produção de trigo mole panificável” (farinha para fazer pão e derivados de pão). “Isto limita muito os preços e limita muito a decisão em Portugal de se fazer determinado produto, porque não se sabe o que vai acontecer ao preço daqui a três meses, e há uma série de situações macroeconómicas que nos ultrapassam completamente, como as guerras, o petróleo ou a política norte-americana”, constata o presidente da CERSUL. Estes fatores têm vindo a modificar-se, nos últimos quatro ou cinco anos (desde a pandemia), e geram esta instabilidade de preços em termos de mercado mundial, lamenta. Neste contexto, “a única solução, no nosso entendimento, para continuar a fazer cereais praganosos em Portugal é apostar em pequenos nichos de mercado em que José Maria Rasquilha, presidente da Comissão Executiva da CERSUL - Agrupamento de Produtores de Cereais do Sul. “que deverá ser apresentada nas próximas semanas, ainda antes da data das próximas eleições”, segundo José Palha. “Estamos a trabalhar com o governo em uma série de medidas, por exemplo para ajustar o valor das ajudas na reprogramação do PEPAC ou fazer melhorias na construção de charcas e barragens, porque sendo uma cultura de outono-inverno aproveita muito a água da chuva”. Estas medidas casam com a estratégia ‘Água que une’, que o governo apresentou recentemente, e com iniciativas a nível energético “que irão ser apresentadas brevemente e que ajudarão as culturas dos cereais praganosos,

RkJQdWJsaXNoZXIy Njg1MjYx