BA20 - Agriterra

31 MERCADO: CEREAIS assistido, nos últimos anos, é que muita área onde se produzia cereais passou a ser de pastagem cada vez mais extensiva, com tendência ao abandono, e neste momento 52% da superfície agrícola do território nacional é de pastagem”. Situação “preocupante”, conclui José Palha, e que leva a associação a valorizar os cereais nacionais, porque, embora sem grandes condições para a sua produção, Portugal tem a qualidade do produto, conseguida graças às reconhecidas condições do clima mediterrânico. O objetivo é “valorizar a produção nacional para que volte a ser interessante para o agricultor, em termos económicos, produzir cereais”, afirma. Para tanto, a ANPOC criou em 2017 a marca ‘Cereais do Alentejo’, que inclui hoje uma série de referências no mercado (de trigo, cevada, aveia e triticale) e que, em parceria com a Sonae, está atualmente a comercializar cerca de 8 mil toneladas de trigo. Sendo uma marca de associação, “obriga a uma série de critérios para os produtores poderem vender o seu trigo com este selo, e estamos até a trabalhar numa blockchain para que seja uma marca 100% fidedigna”, avança José Palha. CRIAR VALOR LIBERTA FILEIRA DA VOLATILIDADE DOS PREÇOS Mas Portugal "produz menos do que o resto dos seus concorrentes diretos, e enquanto commodity, temos que concorrer com o mercado mundial”. Para dar uma ordem de grandeza, um trigo de outono-inverno nacional com acesso a água, em regadio, e com uma produção muito boa pode chegar a seis toneladas por hectare; na Bacia de Paris, sem nenhum tipo de irrigação, a produtividade média ronda as dez a 12 toneladas por hectare, compara. Quanto às consequências a retirar dos atuais desafios a nível geopolítico para o mercado dos cereais em Portugal, o presidente da ANPOC defende que ao contrário, por exemplo, da cultura do milho, em que a maior parte da produção “é para a alimentação animal e não consegue ter uma diferenciação, nós produzimos apenas cerca de 6% das nossas necessidades em trigo duro e trigo mole e, exatamente para tentarmos fugir desta volatilidade dos preços, tentamos criar uma marca e fazer um produto diferenciado”. O grande objetivo, diz, “é criar valor para não estarmos tão dependentes da volatilidade dos preços”, tentando que os agricultores não fiquem tão sujeitos às questões geopolíticas. “Procuramos manter alguma estabilidade dos preços: quando sobem, como aconteceu com a invasão na Ucrânia, a marca tem que se impor para acompanhar o mercado, mas quando baixam temos de tentar que não caiam abaixo de determinado nível que impeça a rentabilidade da cultura”. A ANPOC está a ultimar com o Ministério da Agricultura e demais associações do setor a estratégia ‘+Cereais’, José Palha, presidente da ANPOC – Associação Nacional de Produtores de Proteaginosas, Oleaginosas e Cereais.

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