30 MERCADO: CEREAIS “O mercado de cereais está num ponto crítico de transformação” O mercado nacional de cereais atravessa um momento conturbado, em que ao histórico défice de autoaprovisionamento se juntam a volatilidade dos preços gerada pela instabilidade geopolítica e a adaptação às novas regulamentações ambientais. Neste Especial, conversámos com duas das principais associações da fileira – a ANPOC e a ANPROMIS - e com duas organizações produtoras de trigo e de milho sobre as perspetivas de um setor complexo que, ainda assim, tem na qualidade o seu fator de diferenciação. No que respeita essencialmente aos cereais praganosos (trigo mole, trigo duro e cevada dística) “em Portugal, historicamente, sempre fomos deficitários na produção deste tipo de cereais mais ‘nobres’, destinados ao mercado de produtos para alimentação humana”, começa por explicar José Palha, presidente da ANPOC – Associação Nacional de Produtores de Proteaginosas, Oleaginosas e Cereais. Remontando a um passado secular, José Palha aponta o fraco autoaprovisionamento deste tipo de produtos como uma das razões que impulsionou os Descobrimentos, e recorda a célebre campanha do Trigo do Estado Novo. A tentativa de colmatar as falhas a nível do abastecimento de cereais nacionais persiste assim “historicamente, pois somos sempre pouco produtores”. Dito isto, o setor dos cereais em Portugal “é um setor complicado, porque aliada a esta dificuldade histórica, numa parte importante no nosso território não existem grandes alternativas às culturas de sequeiro”, esclarece o presidente da ANPOC. Em toda a área do interior do país, “que não tem água”, obrigatoriamente tem que se fazer sequeiro, incluindo cereais e também pastagem. Ora, “aquilo a que temos
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