MERCADO: CEREAIS 26 a imposição de tarifas de 25% sobre o aço e o alumínio europeus, tendo a Comissão Europeia respondido que estamos preparados para defender os nossos interesses económicos, o que deixa a porta aberta à ativação desta tarifa que significaria mais de 50 eur/t sobre o preço do milho norte-americano, uma questão que este ano se tornou essencial para a Europa, face a uma colheita curta e problemas de qualidade do milho, além da grande procura pelo milho ucraniano. Desde o início da campanha 2024/25, a UE importou 2,25 milhões de toneladas de milho americano, contra 110.000 toneladas no ano passado, na mesma data. A Espanha é o sexto destino do milho americano. FUNDOS, ACELERADORES DE TENDÊNCIAS Todas estas medidas comerciais, juntamente com os movimentos do euro/dólar, estão a criar uma grande incerteza nos mercados agrícolas. O regresso da volatilidade, juntamente com uma visão inflacionista dos produtos de base com o efeito das tarifas nos EUA, incita os fundos a aumentar a sua atividade, o que acentua as variações de preços. De facto, estes fundos atuam como ‘aceleradores de tendências’, tendo atualmente uma posição muito longa (comprada, à espera de uma subida) no milho, e muito curta (vendida, apostando numa descida) em todos os trigos. Isto significa que qualquer nova informação de mercado que os leve a alterar as suas posições pode ter um forte efeito nos preços mundiais devido ao efeito de compra. COMEÇA O PERÍODO DO ‘MERCADO METEOROLÓGICO’ O período atual é crucial para o desenvolvimento das culturas de milho e para o início da colheita de soja na América do Sul. No entanto, desde dezembro a região teve de enfrentar uma série de riscos climáticos. A Argentina tem enfrentado um clima extremamente quente e seco, enquanto as chuvas incessantes no Brasil têm impedido os agricultores de trabalhar nos seus campos. Por um lado, a situação na Argentina tem sido particularmente preocupante, com temperaturas acima dos 40 graus e, embora as chuvas recentes tenham melhorado um pouco as condições, a Bolsa de Valores de Buenos Aires reviu em baixa as suas estimativas de produção de milho e soja em 1 milhão de toneladas, para 49 Mt e 49,6 Mt, e a Bolsa de Valores de Rosário em -2 Mt, para 46 Mt de milho e 47,5 Mt de soja. No seu último relatório, o USDA também reduziu a colheita de milho em 1 milhão de toneladas, para 50 milhões de toneladas, e a colheita de soja em 3 milhões de toneladas, para 49 milhões de toneladas, o que também desincentiva os agricultores argentinos a exportar. No Brasil, terceiro maior produtor mundial e segundo maior exportador de milho, o início do ano marca o início da plantação da segunda e principal cultura de milho do país, a ‘Safrinha’, bem como o início da colheita de soja. As fortes chuvas que caíram desde o início de 2025 deixaram os agricultores com pouco tempo para trabalhar. No final de janeiro, apenas 11,8% das áreas de milho tinham sido semeadas, em comparação com 20% no ano passado, na mesma altura. Os maiores atrasos na sementeira registaram-se em Mato Grosso, a maior região proOs fundos de investimento atuam como ‘aceleradores de tendências’ e têm atualmente uma posição muito longa (comprada, à espera de uma subida) no milho e uma posição muito curta (vendida, apostando numa descida) em todos os trigos
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