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MERCADO: CEREAIS 25 MACROECONOMIA E GEOPOLÍTICA: QUAL É O IMPACTO NOS NOSSOS MERCADOS? O início de 2025 foi marcado pela tomada de posse de Trump como 47º presidente dos Estados Unidos. Desde a sua eleição, em novembro de 2024, os analistas mundiais têm alertado para o facto de as políticas implementadas por esta nova administração, embora não diretamente relacionadas com as matérias-primas, gerarem instabilidade e volatilidade nos mercados. Esta incerteza tem tido um impacto direto em vários indicadores económicos, como o euro/dólar, que tem sofrido flutuações significativas (Gráfico 1). A força da moeda americana trouxe firmeza aos preços dos cereais em euros; o mesmo milho, com um euro/dólar a 1,02, vale mais 15 eur/t do que com a taxa de câmbio a 1,09 do início de novembro de 2024. Desde a sua tomada de posse, a 20 de janeiro, multiplicaram-se as ameaças comerciais dos EUA, todas com um denominador comum: a luta contra a imigração e o tráfico de droga no país. Trump começou por ameaçar a Colômbia com retaliações comerciais, antes de chegar a um acordo com o Presidente colombiano Gustavo Petro. Em seguida, concretizou as suas ameaças contra o México e o Canadá, impondo tarifas até 25% sobre os produtos importados para os EUA provenientes destes dois países. Poucas horas antes da entrada em vigor destas medidas tarifárias, a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum e o primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, conseguiram negociar com Donald Trump uma suspensão de um mês dos direitos aduaneiros em troca do envio de forças armadas para a fronteira dos EUA. Embora estas ameaças ainda não tenham entrado em vigor, podem perturbar o comércio mundial de cereais e oleaginosas. O México é o maior importador mundial de milho dos EUA, sendo responsável por quase um terço das exportações de milho dos EUA (Figura 2). O Canadá exporta mais de 90% do seu óleo de colza (canola) para os Estados Unidos. Se estes países não conseguirem chegar a um acordo antes do final do mês, Trump aplicará direitos aduaneiros de 25%, e o México e o Canadá já anunciaram a sua intenção de introduzir direitos defensivos equivalentes. Enquanto o México, a Colômbia e o Canadá conseguiram negociar com a Casa Branca a suspensão das ameaças, a China impôs tarifas de até 10% aos seus produtos desde 4 de fevereiro. Depois de ter apresentado uma queixa junto da OMC, Xi Jinping respondeu ao presidente dos EUA impondo um imposto de 15% sobre as importações americanas de carvão e gás natural liquefeito. Embora o fluxo de produtos agrícolas não tenha sido afetado por estas medidas, a China continua a ser o maior importador mundial de soja dos EUA e qualquer alteração nesta relação comercial poderá ter repercussões importantes no equilíbrio global do setor. Trump deverá continuar a utilizar as suas técnicas não convencionais para “proteger o mercado americano”. Entre 2017 e 2021, durante o seu primeiro mandato, introduziu direitos aduaneiros sobre o alumínio e o aço europeus, aos quais a UE respondeu com um direito de 25% sobre o milho americano. Depois de ter sido alcançado um acordo sobre um sistema de quotas, ou contingentes TARIFÁRIOS, que abrangia o comércio de aço e alumínio, a tarifa sobre o milho dos EUA foi desativada até 31 de março de 2025. Mas, a 10 de fevereiro, Trump anunciou Gráfico 1. Variação do euro/dólar desde a chegada de Trump. Fonte: BCE. Gráfico 2: México, o principal importador de milho dos EUA. Espanha, o sexto. Fonte: StoneX. Gráfico 1: Variación del eurodólar desde la llegada de Trump Fuente: BCE 1,0299 1,0426 1,0198 1,053 1,0274 1,0478 Gráfico 2 : México primer importador del maíz EEUU, España el sexto Fuente: StoneX

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